Os jovens autores santa-marienses

29 de maio de 2017, categoria: Educação em pauta/Entrevista/

Maio é o mês da leitura em Santa Maria e o Colégio Marco Polo está atento em acompanhar os talentos locais. Nos dias 14 e 15 de maio conversamos com a Produtora Editorial Andressa Spencer e o Jornalista Jonas Migotto Filho para saber um pouco da experiência deles na produção literária.

Andressa e Jonas são representantes dos novos escritores santa-marienses e têm muito ainda a contribuir com a cultura de nossa região. Quer saber mais? Acompanhe as entrevistas a seguir:

 

Conversa com Jonas Migotto Filho

Quando passou a ter interesse em escrever e publicar um livro?

O interesse em escrever livros existe desde os tempos de colégio, no ensino fundamental. Entre os vários sonhos de infância, o de ser escritor sempre esteve presente quando eu respondia “o que você quer ser quando crescer?”. Na época, eu escrevia várias histórias baseadas nos desenhos animados que eu gostava.

Esse sonho de publicar um livro se tornou mais palpável durante a faculdade de jornalismo, na UFSM.  Aproveitei o Trabalho de Conclusão de Curso para escrever um livro-reportagem como projeto experimental. A grande reportagem é algo muito difícil de fazer no mercado de trabalho atual e algo que sempre me encantou. Assim, vi no TCC a chance de escrever sobre algo que eu acreditava e me identificava.

Durante o Colégio ainda, o interesse pela leitura e a própria escrita foi incentivado?

Sim. Principalmente no ensino fundamental. Nas aulas de português costumávamos frequentar bastante a biblioteca e também produzíamos muitas redações em sala de aula.

Como foi o caminho percorrido até a publicação do livro? Como o cenário em Santa Maria se mostra aberto, ou não, a novos autores? Conta um pouquinho sobre o livro, que conta a história de pessoas interligando ao clube de futebol amador da tua cidade natal.

A ideia do livro surgiu em 2013, mas só foi colocada em prática em 2015, meu último ano da graduação. Com a orientação do professor Paulo Roberto Araújo, passei o ano inteiro pesquisando as histórias do Esporte Clube Franciscano, um time amador do município de Dona Francisca, na região da Quarta Colônia. Para a realização do trabalho foram feitas várias entrevistas ao longo do ano. Além disso, foram consultados documentos, atas, fotos, vídeos, entre outras fontes. Depois, a escrita buscou se basear nos recursos do Jornalismo Literário, algo que o professor Paulo sempre incentivou, para os leitores terem uma experiência agradável ao entrar em contato com a obra, mesmo sem conhecer o clube nem a cidade. O livro não segue uma linha cronológica, os capítulos são divididos por temas e contam histórias das pessoas que construíram os mais de 80 anos do Franciscano. É possível que qualquer fã de futebol – principalmente amador – identifique-se com as histórias presentes no texto.

Durante o processo para a publicação do livro contei com a ajuda de muitas pessoas, até mesmo em uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para a impressão. Além disso, precisei de suporte para as outras questões necessárias para publicar um livro (ISBN, revisão, diagramação, lançamento). Praticamente todo esse processo foi feito em Santa Maria e o pessoal foi muito receptivo e me apoiou. Por isso, realizei dois lançamentos no município. Um no Boteco do Rosário e, depois, na Feira. O feedback do público que já leu o livro tem sido muito positivo.

E a experiência de divulgação do Franciscanos na Feira do Livro de SM, como está sendo?

Foi uma experiência muito legal. A Feira do Livro é um momento especial. O livro já havia sido lançado tanto em Dona Francisca como em Santa Maria, mas o ambiente da Feira é diferente. É um local que possibilita uma troca de ideias muito enriquecedora com quem passa por ali. O trabalho ganha maior visibilidade e fica exposto para um grande número de pessoas. Além disso, é uma grande honra, pois vários autores que admiro também lançam suas obras ali.

A partir dessa experiência, quais são os próximos passos que pretende dar?

Quero continuar escrevendo. Tenho outros projetos de livros-reportagem. Também gostaria muito de escrever ficção. E, quem sabe, até aprimorar esse primeiro trabalho em futuras edições, pois sempre surgem novas histórias e novas abordagens. Nós evoluímos com as nossas vivências, mudamos as formas de pensar e o trabalho fica cada vez mais maduro.

 

Conversa com Andressa Spencer

Durante o Colégio, no teu caso, o interesse pela leitura e a própria escrita foi incentivado?

Sim, a escola teve um papel fundamental no meu desenvolvimento enquanto leitora. Acredito que a maior influência tenha sido da família, mas o incentivo por parte da escola em que eu estudava no ensino fundamental foi essencial para que eu gostasse ainda mais de ler e escrever. Nessa escola, os alunos precisavam ir uma vez por semana na biblioteca, escolher um livro e escrever um breve resumo acerca da obra lida. Pode ser que para alguns colegas tal prática tenha sido trabalhosa demais, porém ainda assim considero importante para que, nós alunos, descobríssemos parte do acervo que a escola tinha a nos oferecer. Além desse projeto, a escola também incentivava a leitura e a escrita através da hora do conto, saraus literários e dos debates acerca dos livros.

Nesse sentido, entendo que o primeiro contato, na maioria das vezes, parte da família, por outro lado, vejo na escola um importante mediador para aproximar os alunos ao universo da leitura e escrita; e para aqueles alunos que porventura não obtiveram um incentivo familiar, a escola se torna um mediador importante ao promover este primeiro contato através de projetos desenvolvidos junto as turmas. Creio que seria bem interessante as escolas investirem em projetos extraclasse, como grupos de redação e debate, clubes de leitura, concursos literários etc.

Tu já tinhas esse interesse em participar da criação e publicar um livro?

Eu sempre gostei de escrever e sempre admirei os autores que eu via nas feiras dos livros lançando suas obras, mas não pensava necessariamente na publicação de um livro. Foi durante a faculdade que essa ideia passou a despertar muito o meu interesse, pois no curso de Produção Editorial trabalhamos bastante com a preparação de originais, edição e revisão de livros.

Como foi o processo pós-publicação, tu acompanhaste? Como o cenário em Santa Maria se mostra aberto, ou não, a novos autores?

O livro lançado na Feira do Livro de Santa Maria este ano foi uma coletânea dos melhores TCCs da segunda e terceira turma do curso de Produção Editorial. O objetivo do livro foi reunir as pesquisas elaboradas na área para divulgar os estudos do campo editorial. Toda a produção do livro (lançamento do edital, recebimento e preparação dos originais, diagramação, projeto gráfico) foi feita pelos alunos do curso de PE. Nesse sentido, nós autores e egressos do curso, participamos mais da pós-produção do livro.

Nossa participação inicial se deu na escrita e preparação dos textos. Ao ser lançado o edital, recebemos a recomendação de que deveríamos enviar um artigo de até 15 páginas. Para mim, essa foi uma experiência bem desafiadora, afinal, meu TCC continha 120 páginas e diversos assuntos relacionados ao mercado editorial que eu poderia explorar. Me deparei com dúvidas como: que eixo abordar? Como desenvolver a temática em apenas 15 páginas? Qual eixo fará mais sentido para o leitor que não teve contato com o trabalho completo? Esses questionamentos me acompanharam durante o processo de escrita do texto.

Quando o livro já estava finalizado, recebemos a capa e o livro em primeira mão para verificarmos se as informações estavam corretas. Após a verificação o livro foi liberado para impressão e fomos convidados pela professora organizadora do projeto a participarmos do lançamento na 44º Feira do Livro de Santa Maria. O lançamento, além de uma sessão de autógrafos, fomos convidados a participar de uma mesa no Palco Livro Livre, cujo objetivo era contar um pouquinho sobre cada pesquisa contida no livro. Foi uma experiência bem marcante e positiva. Fiquei admirada e surpresa com as pessoas que passavam no local (no dia da feira) e pararam para saber do que se tratava o nosso livro ou até mesmo conhecer o nosso curso. Também foi muito gratificante ver os colegas de curso (de semestres iniciais) prestigiar o lançamento.

Em relação ao cenário santa-mariense, acredito que os autores locais encontram sim um espaço para lançamento e divulgação de suas obras em eventos como a Feira do Livro, Livrarias e Cafés, entre outros eventos literários. Além disso, o novo cenário editorial permite que tenhamos iniciativas bem interessantes de autores e editoras independentes. O que é difícil muitas vezes, na minha opinião, é a aceitação por parte do público. O local, assim como o nacional, infelizmente ainda encontra certa resistência para ser aceito.

E a experiência de divulgação do livro na Feira do Livro de SM, como está sendo?

A divulgação acabou ficando sob responsabilidade dos acadêmicos do curso, porém, cada autor pode convidar a família, amigos, colegas e professores para participar do lançamento dia 08. A maioria dos autores compartilhou o convite nas redes sociais, afinal, para nós este lançamento foi motivo de grande orgulho. Como mencionei anteriormente, participar desse projeto, estar presente na área dos autores, participar de uma sessão de autógrafos e estar no palco do Livro Livre foi uma experiência incrível que despertou ainda mais em mim o desejo de um dia me tornar uma escritora.