Da Grécia para o Brasil: a história dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos

19 de abril de 2016, categoria: Coluna/Educação em pauta/

A Grécia nos legou inúmeros elementos culturais, por isso é considerada o berço da sociedade atual. Dentre tantas heranças, encontram-se os Jogos Olímpicos.

Os jogos olímpicos eram realizados na cidade de Olímpia, na Grécia antiga, em homenagem ao Deus grego Zeus (principal divindade dos gregos). Conforme o livro  Araribá Plus, “os habitantes da Grécia antiga também realizavam festividades em homenagem aos seus deuses ou para marcar momentos importantes da sua vida. Alguns cultos eram privados, outros eram públicos, como os sacrifícios, rituais em que animais domésticos eram mortos e oferecidos aos deuses, e as profissões. Um dos mais famosos era realizado a cada quatro anos na cidade de Atenas, em homenagem à deusa que dava nome à cidade. Certos rituais eram tão longos e animados que se transformavam em verdadeiras festividades, como era o caso dos jogos olímpicos”.[1]

Como se pode perceber as festividades em homenagem aos deuses deram origem as Olimpíadas, que duravam um longo período e ocorriam a cada quatro anos. Cabe destacar que, na antiguidade, somente os homens participavam dos jogos. Os gregos  oriundos de diversas cidades-estados, competiam sem roupa, com a intuito de serem mais rápidos e ágeis durante os jogos.  As mulheres, da mesma forma que na política, eram excluídas das competições. Nessa época, eram disputadas diversas modalidades esportivas pelos atletas, pode-se citar algumas como: corrida, salto, arremesso de disco, de dardo e luta. Os vencedores, ao final das provas, recebiam folhas de louro, simbolizando o mito de Dafne.[2]

 As festividades ou disputas eram tão relevantes que desencadeavam a suspensão das guerras existentes na região da Península Balcânica.

As olimpíadas antigas ocorreram até o século IV d. C., pois o cristianismo, religião monoteísta que surgiu durante o Império Romano,  não aceitava o culto aos diversos deuses gregos. Dessa forma, os jogos olímpicos deixaram de ser realizados.

Somente no ano de 1896, inspirado nas competições gregas, o Barão Pierre de Courbetin (pedagogo), recriou os Jogos Olímpicos, também denominados de jogos modernos. Desde o final do século XIX, os jogos vêm acontecendo em quadriênios, com novos símbolos, como os anéis que representam os continentes e a bandeira olímpica. Ressalta-se que na Era Moderna os jogos foram suspensos durante as duas grandes guerras mundiais, entretanto nunca perderam a essência de promover a paz entre os povos.

Outra inovação da modernidade foi a criação dos Jogos Paraolímpicos. As primeiras disputas dessa natureza surgiram na Inglaterra, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, uma vez que muitos homens haviam perdido alguns dos seus membros ou apresentavam sérias lesões auditivas,  necessitando de tratamento de reabilitação. O criador de modalidades esportivas voltadas para pessoas com deficiência foi do médico neurologista Ludwig Guttmann. Este juntamente com o governo inglês fundou um centro voltado à reabilitação médica. Nesse centro, a prática esportiva passou a ser a melhor forma de recuperação física e mental. No ano de 1948, foi realizado o primeiro jogo paraolímpico com a participação de pessoas que lutaram na grande guerra. A ideia foi um sucesso.

Assim, em 1960 na cidade de Roma, foi disputado os jogos paraolímpicos e, desde então, os atletas já profissionais, com deficiência passaram a participar de competições realizadas no mesmo ano das Olimpíadas, no entanto, em datas diferentes.

[1] Araribá Plus: História/obra coletiva. Editora Responsável Maria Raquel Apolínário. 4ª Ed. São Paulo: Moderna, 2014. P. 162.

[2] A origem do símbolo está na mitologia comum a ambas as culturas. Segundo ela, o deus Apolo teria se apaixonado pela linda ninfa Dafne, mas ela não nutria o mesmo sentimento por ele e fugiu para as montanhas, tentando escapar da sua perseguição. Dafne acabou pedindo proteção a seu pai, o deus Peneio, que optou por transformá-la num loureiro: foi assim que a ninfa venceu Apolo. Por isso, os vencedores de qualquer tipo de competição eram coroados com folhas dessa planta. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-os-herois-gregos-e-romanos-usavam-coroa-de-louros. Acesso em 17 Abr de 2016.

Juliana Motta

Professora de História do Ensino Fundamental e EJA do Colégio Marco Polo